OLIVEIRENSE – O QUE FALTAVA SABER

8 11 2007

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ANTÓNIO VALENTE, CARISMÁTICO E DEDICADO LÍDER DO HÓQUEI EM PATINS DA OLIVEIRENSE, LEVANTA O VÉU SOBRE ALGUNS ASSUNTOS QUE AINDA NÃO ERAM CLAROS, COMO A SAÍDA DO RUI RIBEIRO E DO DIDI, ASSIM COMO MOSTRA O SEU DESAGRADO PELA FORMA COMO A SUA EQUIPA TEM SIDO AJUIZADA PELOS ÁRBITROS

É MAIS UM EXCELENTE TRABALHO DA ANA CATELAS PARA O CORREIO DE AZEMÉIS E POR TODO O INTERESSE QUE TEM ESTA REPORTAGEM, RESOLVEMOS TRANSCREVE-LO PARA OS NOSSOS VISITANTES, FAZENDO A RECOLHA ATRAVÉS DO JORNAL REGIONAL.COM.

António Valente apela ao apoio dos oliveirenses e critica as equipas de arbitragem pela amostragem em demasia dos cartões
A Oliveirense não é uma equipa violenta”

António Valente está à frente da secção de hóquei em patins há três anos, mas já acompanha a equipa como dirigente há 17, quando o responsável máximo era Rui Paulo Rodrigues. O dirigente diz que dificilmente haverá alterações na equipa em Dezembro e apela ao apoio da massa associativa nesta fase do campeonato que se avizinha como a mais difícil.

Ana Catelas

António Valente está há 17 anos na direcção do hóquei em patins e esta é a terceira época que dirige os destinos da secção. O vice-presidente realçou que há dois anos, na altura em que o clube foi afectado por uma crise directiva, a direcção não conseguiu formar a equipa como pretendia, pois “os jogadores que queríamos já estavam comprometidos com outros clubes”.
Este ano tudo poderia ser diferente, mas a equipa voltou a ser surpreendida, uma vez que a direcção contava manter todo o plantel. No entanto, “perdemos o Didi e o Rui Ribeiro e quando fomos ao mercado para arranjar jogadores já foi complicado”, afirmou António Valente, garantindo que a secção não contava com a saída destes dois atletas, que foram os melhores marcadores da equipa na última época.
“O Didi seguiu para Viana por vontade dele e não por nossa vontade e o Rui Ribeiro regressou ao Benfica”, frisou o dirigente, adiantando que o clube da Luz depois “veio-nos oferecer o jogador novamente, mas já tínhamos o plantel fechado com a contratação dos dois atletas que nos faltavam”.
O vice-presidente da secção apela ao apoio da massa associativa nos jogos da Oliveirense, afirmando que só assim a equipa pode alcançar as vitórias. “Os êxitos só se conseguem com a união da massa associativa e da equipa técnica”, disse António Valente, acrescentando que “vamos entrar na fase mais difícil do campeonato e se a equipa sentir o apoio do público tornar-se-á mais fácil alcançar os êxitos”.

Como é que analisa a saída de Didi da Oliveirense?
Ficámos surpreendidos pela maneira como o Didi saiu, porque ele ficou de me dar uma resposta no dia em que eu falei com ele e até hoje não disse nada e foi para Viana.

E não foi possível segurar o Didi na equipa?
Não, porque ele nem proposta apresentou. Ele no dia que foi para Viana teve uma reunião comigo de manhã e ficou de me ligar de tarde para me dar uma resposta sobre as condições que queria, mas nunca mais disse nada. Quando eu soube, ele já tinha assinado pelo Viana.

Não contavam com esta atitude de Didi ao fim de tantos anos a representar o clube.
Acho que ele devia ter tido outro tratamento com o clube que sempre o tratou bem, nunca lhe faltou nada e de certeza que ele não pode dizer o contrário.

A que se deveu a continuidade de Tó Neves como jogador depois deste ter anunciado a sua saída?
Foi o facto de não conseguirmos arranjar um avançado. Quando acabou a época a intenção era ficar com o mesmo plantel e só íamos buscar um avançado para colmatar a saída do Tó Neves só para treinador. Mas não conseguimos arranjar um jogador para o substituir e solicitámos que continuasse mais um ano.

E o Rui Ribeiro não podia colmatar a saída do Tó Neves?
Aí há a situação da parte financeira. Se tínhamos o Tó Neves como jogador e treinador limitou-nos na parte financeira para podermos ir buscar o Rui Ribeiro.

O Tó Neves vai jogar até ao final da época ou joga só até Dezembro?
Isso só ele pode decidir se continua ou não. A Oliveirense conta com ele.

No final dos jogos, o treinador tem feito algumas críticas às equipas de arbitragem. Acha que ele tem razão?
Acho que tem toda a razão. No jogo com o Braga, a situação com o Tiago Santos em que há uma falta contra o Braga e o árbitro transforma essa falta numa agressão do nosso jogador sobre o adversário, o que levou o Conselho de Disciplina a castigar o Tiago Santos com três jogos, o que é demasiado. O árbitro diz no relatório que o nosso jogador teve prática de jogo violento e qualquer pessoa que esteve no pavilhão viu que foi uma jogada normal. Estamos a ser perseguidos no aspecto da disciplina, porque já em Gulpilhares, o Max levou cartão vermelho quando primeiro foi ele agredido.

A que se deve essa perseguição? Será que a Oliveirense está a fazer frente a alguém?
Não sei. As pessoas é que sabem…

Ao fim de seis jornadas, a Oliveirense soma três cartões vermelhos e cinco azuis. Que conclusão é que tira desta situação?
É a situação que já debatemos anteriormente. Eu perguntei ao presidente da arbitragem se os árbitros tinham instruções para mostrar muitos cartões e ele disse que não. Mas nós estranhámos a forma como estão a ser mostrados os cartões principalmente aos nossos jogadores fundamentais. Não adianta reclamarmos, porque dizem-nos que são os árbitros que temos, que a arbitragem está mal e nós não podemos fazer nada.

Que solução aponta para isso?
Aquilo que nós debatemos é que, após 48 horas dos jogos, qualquer equipa tenha direito aos relatórios do árbitro e do delegado técnico. Aí tiravam-se as dúvidas, porque neste momento temos acesso ao relatório do árbitro. O relatório do delegado técnico não nos é dado, porque não é permitido. Pelo menos, assim, fazia transparecer cá para fora que havia mais realidade com o que se passava e podíamos confrontar o trabalho do árbitro com o do delegado técnico, porque nós, dirigentes, às vezes não compreendemos muito bem as nomeações e com esses relatórios dissipávamos qualquer tipo de dúvidas que tivéssemos a esse respeito.

Tantos cartões não significa, no entanto, que a Oliveirense seja uma equipa violenta ou indisciplinada em rinque…
Acho que não. Quem seguir o percurso da Oliveirense sabe que tem havido uma amostragem de cartões em demasia. Os árbitros mostram os cartões de qualquer maneira. A nossa equipa não é violenta.

Em seis jogos, a Oliveirense tem cinco vitórias. Este início de época não podia ser melhor…
Está dentro das nossas previsões. Podia ser melhor, mas no primeiro jogo perdemos com o Benfica, porque entrámos mal e quando tentámos correr atrás do prejuízo já era tarde. Este ano, o Campeonato está a ser muito disputado e não há equipas fáceis. Temos sempre que respeitar o adversário, seja ele considerado um dos grandes ou um mais pequeno, porque tem havido muitas surpresas e isso é bom para a modalidade porque significa que o Campeonato está mais equilibrado.

À passagem da sexta jornada, a Oliveirense é líder, embora esteja com mais um jogo que o segundo classificado. A equipa pode acabar o campeonato também nesta posição?
Isso é muito discutível. Nós conhecemos a nossa realidade. Há equipas muito mais apetrechadas que a nossa, com orçamentos que a nossa não tem. Dentro das nossas possibilidades e da nossa humildade, jogo a jogo nós vamos tentar cimentar a nossa posição o mais acima possível da tabela. Nesta fase, o importante é ficarmos nos oito primeiros que dá acesso aos play offs. Quanto mais acima ficarmos nesta primeira fase melhor é porque na fase final, em caso de empate, temos o jogo de desempate em nossa casa.

Será que é este ano que podemos ver a Oliveirense campeã?
Não, isso é complicado. Nós vamos lutar jogo a jogo para chegar o mais possível ao cimo da tabela. Essa é a nossa ambição, mas daí à realidade… O objectivo na primeira fase é ficar entre os oito primeiros. Na fase final, queremos jogo a jogo ficar o mais à frente possível. O ano passado não conseguimos chegar o mais à frente possível, porque nos momentos cruciais foram-nos cortadas essas possibilidades. Tivemos tudo nas mãos para chegar à final, mas no momento da decisão algumas forças ocultas encarregaram-se de nos empurrar para o terceiro lugar.

Quais são os objectivos para a secção de hóquei em patins?
Quer nos seniores quer nas camadas jovens, o nosso interesse é chegar o mais à frente possível. Temos duas equipas nos nacionais (juvenis e juniores) e apoiamos muito as camadas jovens, se calhar até mais do que aquilo que o clube pode, pois esta é uma modalidade que tem muitas despesas e na formação os gastos são suportados pela secção.

Fala-se que essas despesas são suportadas pelo patrocinador, o Grupo Simoldes, e também se diz que se deixar de patrocinar, o hóquei em patins acaba na Oliveirense. O que lhe parece?
As pessoas têm uma informação errada da secção de hóquei em patins. A secção não tem só a Simoldes como patrocinador. Tem cerca de 30 patrocinadores, entre a Câmara Municipal e muitas outras empresas. E são essas empresas que nos têm apoiado dentro das possibilidades. Mesmo com esses patrocinadores ainda ficamos muito aquém daquilo que queríamos, porque para podermos ter uma equipa para lutar pelos lugares cimeiros teríamos de ter muito mais dinheiro.


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